A miséria é o tópico central do premiadíssimo trabalho do diretor Jorge Furtado. Com acidez retrata o funcionamento mecânico da sociedade de consumo. Com um tom super divertido, o curta acompanha a trajetória de um tomate, desde a plantação até ser jogado fora, para escancarar o processo de geração de riqueza e as desigualdades que vão surgindo ao longo do caminho até o destino final do saboroso fruto vermelho.
A característica mais marcante do curta-metragem Ilha das Flores é a profusão alucinada de imagens. É como se tudo fosse uma verdadeira colagem. Esse esquema um tanto quanto enlouquecedor é o que torna o filme imperdível.
O humor inteligente de Jorge Furtado nos leva a olhar a sociedade em outros olhos. E até os tomates passamos a olhar com outros olhos.
Gênero Documentário, Experimental
Diretor Jorge Furtado
Ano 1989
Duração 13 min
quarta-feira, 28 de maio de 2008
domingo, 25 de maio de 2008
Sessão da tarde com jiló.
Como havia prometido no post "Estréias" finalmente assisti a um dos filmes que estreiavam naquela semana. Infelizmente, nesse feriado, o único que resistiu na programação foi O melhor amigo da noiva (Made of honor, USA/UK, 2008).
Algumas pessoas vêm comparando O melhor amigo da noiva a O casamento do meu melhor amigo. Sim, os dois filmes possuem títulos e temáticas parecidas. Mas acabam aí as semelhanças. Isso porque ao contrário do segundo, o primeiro filme citado (o melhor amigo da noiva) não possui uma personagem (ou uma atriz) forte como a de Julia Roberts, nem um bom humor, muito menos um desfecho que honre a inteligência do público. Ele possui roteiro fraco e usa clichês chatos.
O filme conta a história de Tom (Patrick Dempsey), um rico mulherengo que não quer compromisso, e Hannah (Michelle Monaghan), sua amiga desde a faculdade. Os dois são inseparáveis e tudo corre bem até que Hannah viaja a trabalho para a Escócia. Com a partida da amiga, Tom percebe que a ama e decide pedi-la em casamento quando ela voltar. O problema é que Hannah não volta sozinha. Ela retorna noiva de um belo duque escocês. Como se não bastasse, ela pede que Tom seja madrinha de seu casamento. O enredo todo se desenvolve a partir da tentativa de Tom de ser a perfeita madrinha para que, assim, consiga conquistar Hannah.
Até aí tudo bem. O problema surge quando os clichês começam a saltar aos olhos do público. Nada contra clichês. Afinal, eles se tornaram o que são justamente porque dão certo. Mas, não é necessário que se faça uso de tais recursos com tanta veemência, sem surpreender o público nem um pouco, reforçando tolos estereótipos (como a gordinha desesperada para casar e emagrecer e a loira invejosa oferecida) tornando o filme chato e infantil. O diretor, Paul Weiland, parece se perder no meio da trama e deixa bem claro que não sabe em que direção deveria conduzir o filme.
Porém, nem tudo é perdido. O filme ganha na primeira e na última cena quando tenta brincar com as figuras de Bill e Hillary Clinton e a de Monica Lewinsky.
Pena que a enorme publicidade e o desejo de comparação com outros títulos não consigam esconder o fato de que O melhor amigo da noiva é como uma sessão da tarde com jiló: nada de novo com gosto muito ruim.
Algumas pessoas vêm comparando O melhor amigo da noiva a O casamento do meu melhor amigo. Sim, os dois filmes possuem títulos e temáticas parecidas. Mas acabam aí as semelhanças. Isso porque ao contrário do segundo, o primeiro filme citado (o melhor amigo da noiva) não possui uma personagem (ou uma atriz) forte como a de Julia Roberts, nem um bom humor, muito menos um desfecho que honre a inteligência do público. Ele possui roteiro fraco e usa clichês chatos.
O filme conta a história de Tom (Patrick Dempsey), um rico mulherengo que não quer compromisso, e Hannah (Michelle Monaghan), sua amiga desde a faculdade. Os dois são inseparáveis e tudo corre bem até que Hannah viaja a trabalho para a Escócia. Com a partida da amiga, Tom percebe que a ama e decide pedi-la em casamento quando ela voltar. O problema é que Hannah não volta sozinha. Ela retorna noiva de um belo duque escocês. Como se não bastasse, ela pede que Tom seja madrinha de seu casamento. O enredo todo se desenvolve a partir da tentativa de Tom de ser a perfeita madrinha para que, assim, consiga conquistar Hannah.
Até aí tudo bem. O problema surge quando os clichês começam a saltar aos olhos do público. Nada contra clichês. Afinal, eles se tornaram o que são justamente porque dão certo. Mas, não é necessário que se faça uso de tais recursos com tanta veemência, sem surpreender o público nem um pouco, reforçando tolos estereótipos (como a gordinha desesperada para casar e emagrecer e a loira invejosa oferecida) tornando o filme chato e infantil. O diretor, Paul Weiland, parece se perder no meio da trama e deixa bem claro que não sabe em que direção deveria conduzir o filme.
Porém, nem tudo é perdido. O filme ganha na primeira e na última cena quando tenta brincar com as figuras de Bill e Hillary Clinton e a de Monica Lewinsky.
Pena que a enorme publicidade e o desejo de comparação com outros títulos não consigam esconder o fato de que O melhor amigo da noiva é como uma sessão da tarde com jiló: nada de novo com gosto muito ruim.
Enquanto isso em Cannes...(parte 2)
Termina hoje o 61º Festival de Cannes. Entre os premiados podemos destacar a brasileira Sandra Corveloni que ganhou o prêmio de melhor atriz pelo filme de Walter Salles "Linha de Passe". Segue a lista dos demais premiados:
Palma de Ouro: "Entre les murs" do francês Laurent Cantet
Grand Prix: "Gomorra" do italien Matteo Garrone
Prêmio do Júri: "Il Divo" do italiano Paolo Sorrentino
Melhor Atriz: a brasileira Sandra Corveloni ("Linha de Passe")
Melhor Ator: o porto-riquenho Benicio del Toro ("Che")
Melhor Diretor: o turco Nuri Bilge Ceylan ("Three Monkeeys")
Melhor Roteiro: os belgas Jean-Pierre et Luc Dardenne ("O silêncio de Lorna")
Palma de Ouro para Curta-metragem: "Megatron", do romeno Marian Crisan
Câmera de Ouro: "Hunger", do inglês Steve McQueen
Prêmio especial do 61º Festival de Cannes: a atriz francesa Catherine Deneuve ("Un conte de Noël") e o ator e diretor americano Clint Eastwood ("The Exchange")
Palma de Ouro: "Entre les murs" do francês Laurent Cantet
Grand Prix: "Gomorra" do italien Matteo Garrone
Prêmio do Júri: "Il Divo" do italiano Paolo Sorrentino
Melhor Atriz: a brasileira Sandra Corveloni ("Linha de Passe")
Melhor Ator: o porto-riquenho Benicio del Toro ("Che")
Melhor Diretor: o turco Nuri Bilge Ceylan ("Three Monkeeys")
Melhor Roteiro: os belgas Jean-Pierre et Luc Dardenne ("O silêncio de Lorna")
Palma de Ouro para Curta-metragem: "Megatron", do romeno Marian Crisan
Câmera de Ouro: "Hunger", do inglês Steve McQueen
Prêmio especial do 61º Festival de Cannes: a atriz francesa Catherine Deneuve ("Un conte de Noël") e o ator e diretor americano Clint Eastwood ("The Exchange")
sábado, 24 de maio de 2008
Prazer sem limites
Vale a pena ver, ver de novo e ver outra vez. Isso se as longas cenas filmadas em tomada única, os diálogos que nada tem a haver com a narrativa e a violência, as drogas e o sexo como forma de humor, forem dignos da sua paciência. Em contrapartida, Boogie Nights tem uma trilha sonora muito bem escolhida e personagens incrivelmente marcantes.
Sob a direção de Paul Thomas Anderson, o filme, cuja personagem principal é a pornografia em si e os rumos que ela pode dar aos demais personagens, conta a história de um jovem de dezessete anos que vira ator de filme pornô ao conhecer o mestre do gênero Jack Honer. As drogas, o dinheiro fácil e a diversão ilimitada e desregrada acabam atrapalhando sua vida e sua carreira de fenômeno da cinematografia pornográfica.
O mais marcantes de todos é o personagem vivido por Mark Wahlberg. Marcante não só pelo fato de seu membro ser aberrativamente grande. Mas também por sua trajetória de vida que começa com uma escalada rumo ao sucesso e culmina em um fracasso total. O mérito do filme é justamente o retrato muito bem feito do apogeu e declínio de Eddie (Wahlberg) em função das drogas e de sua própria personalidade deslumbrada e arrogante.
Julianne Moore teve uma atuação incrível durante todo o filme: uma mulher maternal, doce e gentil, que em meio a toda sua esquisita sensatez, cheira cocaína enlouquecidamente e transa com o cara por quem diz sentir amor de mãe. Tem que ser muito boa atriz pra fazer um papel tão complexo. E a ruiva é.
Os atores que vivem os personagens coadjuvantes, contudo, não ficam de fora do mérito de excelente atuação. Em nenhum momento eles se comportam como coadjuvantes. Todos eles têm seu universo próprio e, embora, convivam com os protagonistas, não vivem em função deles. A naturalidade com que atuam é envolvente.
Fique atento: as cenas em que Wahlberg representa Eddie representando o sensacional ator pornô Dirck Diggler não mostram o avantajado membro responsável pelo sucesso devastador do personagem. Durante todo o filme há apenas uma instigante, mas nada sutil, sugestão. Mas na última cena...
Veja!
Sob a direção de Paul Thomas Anderson, o filme, cuja personagem principal é a pornografia em si e os rumos que ela pode dar aos demais personagens, conta a história de um jovem de dezessete anos que vira ator de filme pornô ao conhecer o mestre do gênero Jack Honer. As drogas, o dinheiro fácil e a diversão ilimitada e desregrada acabam atrapalhando sua vida e sua carreira de fenômeno da cinematografia pornográfica.
O mais marcantes de todos é o personagem vivido por Mark Wahlberg. Marcante não só pelo fato de seu membro ser aberrativamente grande. Mas também por sua trajetória de vida que começa com uma escalada rumo ao sucesso e culmina em um fracasso total. O mérito do filme é justamente o retrato muito bem feito do apogeu e declínio de Eddie (Wahlberg) em função das drogas e de sua própria personalidade deslumbrada e arrogante.
Julianne Moore teve uma atuação incrível durante todo o filme: uma mulher maternal, doce e gentil, que em meio a toda sua esquisita sensatez, cheira cocaína enlouquecidamente e transa com o cara por quem diz sentir amor de mãe. Tem que ser muito boa atriz pra fazer um papel tão complexo. E a ruiva é.
Os atores que vivem os personagens coadjuvantes, contudo, não ficam de fora do mérito de excelente atuação. Em nenhum momento eles se comportam como coadjuvantes. Todos eles têm seu universo próprio e, embora, convivam com os protagonistas, não vivem em função deles. A naturalidade com que atuam é envolvente.
Fique atento: as cenas em que Wahlberg representa Eddie representando o sensacional ator pornô Dirck Diggler não mostram o avantajado membro responsável pelo sucesso devastador do personagem. Durante todo o filme há apenas uma instigante, mas nada sutil, sugestão. Mas na última cena...
Veja!
Para ver antes de morrer
Lançado no final dos anos 50, Quanto mais quente melhor ataca o puritanismo da época fazendo a melhor insinuação sexual da história do cinema na célebre frase “Ninguém é perfeito”.
Uma comédia romântica com dois travestis que tem inicio em um massacre. Tony Curtis e Jack Lemmon estão hilários como os músicos que testemunham tal massacre e fogem travestidos numa banda feminina que tem Monroe como vocalista completamente pirada e maluca.
O melhor do filme é a Merylin, claro. Linda, divina e, principalmente, gordinha. Com muitos quilinhos a mais para o atual padrão de beleza, ela se encaixa perfeitamente na palavra “sensualidade”. A palavra foi criada para ela e ela para a palavra. Não há dissociação.
Poderosa e sensual era o estereótipo para a mulher dos anos 50 que a atriz representava muito bem. Sua beleza garantiu seu espaço de atriz mais importante da história do cinema. Merylin Monroe sobrevive até hoje como símbolo sexual, tendo sido escolhida em 1999, a mulher mais sexy do século pela People.
Título original: Some Like It Hot
Direção: Billy Wilder
Premiação: um Oscar e Globos de Ouro de Melhor Filme, Ator e Atriz
Duração: 120 min. PB
Uma comédia romântica com dois travestis que tem inicio em um massacre. Tony Curtis e Jack Lemmon estão hilários como os músicos que testemunham tal massacre e fogem travestidos numa banda feminina que tem Monroe como vocalista completamente pirada e maluca.
O melhor do filme é a Merylin, claro. Linda, divina e, principalmente, gordinha. Com muitos quilinhos a mais para o atual padrão de beleza, ela se encaixa perfeitamente na palavra “sensualidade”. A palavra foi criada para ela e ela para a palavra. Não há dissociação.
Poderosa e sensual era o estereótipo para a mulher dos anos 50 que a atriz representava muito bem. Sua beleza garantiu seu espaço de atriz mais importante da história do cinema. Merylin Monroe sobrevive até hoje como símbolo sexual, tendo sido escolhida em 1999, a mulher mais sexy do século pela People.
Título original: Some Like It Hot
Direção: Billy Wilder
Premiação: um Oscar e Globos de Ouro de Melhor Filme, Ator e Atriz
Duração: 120 min. PB
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Paulo Coelho em Hollywood
Os fãs de Paulo Coelho poderão curtir sua mais famosa história agora no cinema. 'O Alquimista' vai virar filme de Hollywood.
A divulgação dos detalhes da adaptação do best-seller foi feita em Cannes. A rodagem inicia em 2009. O longa será dirigido por Lawrence Fishburne e custará mais de US$ 60 milhões. Pasmem! Mas nem tanto. A história de um jovem pastor que, após ter um sonho repetido, decide partir em uma busca do auto-conhecimento, não deveria sair muito barato mesmo.
Colocar na telona os grandes mistérios que acompanham a humanidade desde o início dos tempos aos quais o protagonista da trama de Paulo Coelho se vê lançado, parece ser o grande desafio do magnata do cinema.
Lawrence Fishburne recebeu uma indicação ao MTV Movie Awards de Melhor Dupla, por "Matrix" (1999). Participou de vários filmes de sucesso como Quebrando a banca, Quarteto Fantástico e o Surfista prateado e Missão impossível 3. Mas foi em Apocalipse Now, do gênio Francis Ford Coppola, que o astro negro americano faz sua aparição relevante.
Veja o trailer de Apocalipse Now.
A divulgação dos detalhes da adaptação do best-seller foi feita em Cannes. A rodagem inicia em 2009. O longa será dirigido por Lawrence Fishburne e custará mais de US$ 60 milhões. Pasmem! Mas nem tanto. A história de um jovem pastor que, após ter um sonho repetido, decide partir em uma busca do auto-conhecimento, não deveria sair muito barato mesmo.
Colocar na telona os grandes mistérios que acompanham a humanidade desde o início dos tempos aos quais o protagonista da trama de Paulo Coelho se vê lançado, parece ser o grande desafio do magnata do cinema.
Lawrence Fishburne recebeu uma indicação ao MTV Movie Awards de Melhor Dupla, por "Matrix" (1999). Participou de vários filmes de sucesso como Quebrando a banca, Quarteto Fantástico e o Surfista prateado e Missão impossível 3. Mas foi em Apocalipse Now, do gênio Francis Ford Coppola, que o astro negro americano faz sua aparição relevante.
Veja o trailer de Apocalipse Now.
domingo, 18 de maio de 2008
Enquanto isso em Cannes...
O Festival de Cannes é o mais famoso festival de cinema do mundo. Criado em 1946, ele acontece todos os anos, no mês de maio, na cidade francesa de Cannes. Esse ano, em sua 61ª edição, o festival traz em sua mostra competitiva filmes como "Ensaio sobre a cegueira”, do aclamado Fernando Meirelles, e "Linha de passe" do também brasileiro Walter Salles.
Para aqueles que não resistem a um bom tapete vermelho:
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